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Ano 10 n.02 Fevereiro de 2007

O Espiritismo, corpo doutrinário de extrema abrangência, proporciona conhecimentos sobre Deus, o Ser Supremo, e sobre a realidade da criação, na qual se inserem os elementos do Universo: espírito e matéria.
Ao lado do conhecimento coloca os valores morais, os dois pilares sobre os quais o Espírito constrói a própria evolução. Conhecimento e sentimento precisam estar permanentemente conjugados nas cogitações do adepto.

A Doutrina, por sua natureza superior, é um roteiro seguro para a orientação dos homens na Terra, que se vêem cercados por um número enorme de religiões, filosofias e teorias científicas que propõem respostas às suas indagações e inquietações.

Feliz é o espírita que busca seguir o roteiro seguro do Consolador. Torna-se ele, mesmo na condição de Espírito imperfeito, em evolução, um elemento de equilíbrio onde atua sempre preocupado em servir, amar, ajudar.

Mas, se por um lado o espírita se torna feliz pelo conhecimento da Lei Divina que lhe aclara o caminho, bastando-lhe seguir a orientação segura, em contraposição aumenta-lhe a responsabilidade, em caso de erros e omissões em seus propósitos, atos e pensamentos.

Os espíritas de todas as latitudes precisam estar despertos quanto às próprias responsabilidades, perante a Doutrina, diante de sua própria consciência, perante o Movimento e perante a Humanidade carente.

Não recebe o adepto em vão e sem razão o esclarecimento da Nova Revelação. A contrapartida devida é sua vivência, sua prática.

O que pode ser revelado no ignorante das verdades eternas não o pode no adepto espírita. É evidente que a Doutrina não exige que todos pensem e ajam uniformemente, sem discrepâncias.

Cada seguidor preserva sua individualidade, seus valores, sua personalidade.

Entretanto, para corresponder à bênção do novo estado espiritual proporcionado pela Doutrina, seu adepto precisa tornar-se sincero perante a si mesmo, esforçar-se contra o egotismo, conter o personalismo, evitar as dissensões oriundas das opiniões pessoais.

Essa é a atitude de todos os espíritas que já se beneficiaram com a luz nova que neles penetrou e que divulgam com sinceridade.

Por isso não se compreende que o espírita sincero, mesmo divergindo dos companheiros em questões secundárias, não se esforce por irradiar a paz, a concórdia, o entendimento, preferindo a divergência ostensiva, a acusação sem nexo, a insensibilidade diante da grandiosidade e beleza da Doutrina que abraçou.

Há que se evitar o paradoxo, a contradição absurda de conhecer em espírito a Mensagem Superior e desprezar-lhe a vivência.

(editorial do Reformador , Fevereiro de 1998)

 



1. Até quando o senhor acha que, no mundo, continuará havendo misérias, desigualdades sociais, contrastes gritantes que nós vemos e assistimos em várias regiões do país e do mundo?

- A resposta está no Evangelho de Jesus. Quando a mulher arrependida levou-Lhe bálsamo e O ungiu, Judas, preocupado com a despesa que ela fazia, já que a substância era de alto preço, lamentou que fosse desperdiçada com Ele.

Chegou, mesmo, a considerar que aquela substância poderia ser vendida e revertida em benefício dos pobres. Jesus redargüiu: “Ela agiu muito bem, porque os pobres sempre os tereis, mas a mim nem sempre”. E, aqui, vale dizer que, sempre, haverá pobres, enquanto o homem em gozo e no exercício das suas aptidões, da fortuna, faça delas mau uso.

Dentro do conceito de reencarnação, aquele que hoje experimenta limites, dificuldades e problemas, foi o mesmo que abusou, em existência próxima, transata ou remota, dos valores com que a vida o aquinhoou. Dentro da mesma questão, vemos que a Humanidade está num período de trânsito.

Enquanto vigir o egoísmo, no coração dos homens, haverá, inevitavelmente, a miséria, porque a ambição desmedida de alguns pouco engendra a miséria de muitos.

O Espiritismo levanta a questão de forma otimista, convidando os que possuem a repartir, a criarem empregos, a darem oportunidades, a favorecerem os que se encontrem em situações de precariedade, com ensejos mais felizes, e acreditamos que dia virá, não muito longe, em que esta paisagem erma e triste da miséria sócio-econômica cederá lugar a uma situação menos penosa, mesmo porque, consideramos que o grande drama da atualidade não tem sua gênese, exclusivamente, na problemática da miséria econômica, senão na grande problemática da miséria moral.


2. Quem é que procura o Espiritismo, as palestras espíritas, as orientações espíritas?

- Hoje o perfil de quem procura não é mais do sofredor tradicional que vinha para resolver seus problemas imediatos, acoimado pelos seus problemas econômicos, de afetividade, de trabalho.

Hoje o perfil é de quem está mais necessitado de esclarecimento, que tem interrogações, que está insatisfeito com a cultura, com a vida, e que se cansou do materialismo.

Tem uma ansiedade filosófica muito grande e ao mesmo tempo também são pessoas sofredoras porque o Espiritismo para nós é Consolador. Veio para consolar e ensinar o indivíduo a se libertar.


3. Joanna de Ângelis destaca-se com seus trabalhos psicológicos. Por que ela adota esses temas ligados à Psicologia?


- Exatamente pela necessidade que todos temos de diretrizes e terapias libertadoras. Nunca houve tanto amor na Terra como hoje... Nem tanto sofrimento.

Aí estão as enfermidades dilaceradoras, os cânceres, a aids, os distúrbios emocionais, psíquicos, obsessivos, aguardando socorro, orientação, terapias; os transtornos neuróticos e psicóticos, os de pânico, agravando as existências humanas.

Joanna de Angelis pretende auxiliar, despertar e colaborar em favor da felicidade das criaturas, apoiada em Jesus, Kardec e grandes psicoterapeutas da atualidade.


(do livro “Entrevistas e Lições” de Divaldo P. Franco)

 



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