menu
menu
menu


Ano 10 n.04 Abril de 2007

Aos 18 de abril de 1857, o mundo recebia o conjunto de verdades trazidas por Espíritos Superiores sobre as questões mais transcendentais para a Humanidade – “O Livro dos Espíritos”.

A data não se limita ao livro: assinala também o aparecimento da Doutrina Espírita na Terra. As Verdades contidas na Doutrina Espírita – A crença em Deus, a Imortalidade da Alma, a Reencarnação, a Comunicação com os Espíritos e a Pluralidade dos Mundos Habitados – sempre foram aceitas pela Humanidade com interpretações das mais diversas, de acordo com o grau de evolução de cada agrupamento social.

Vianna de Carvalho (Espírito) no livro “Conversa Fraterna” informa-nos que, a Espiritualidade Superior necessitava de um elo de ligação para poder agregar todo o conhecimento nas crenças citadas em um só código. Nasce então o insigne Codificador que, há 150 anos trouxe a lume “O Livro dos Espíritos”.

Allan Kardec, que interrogou os Espíritos, analisou as informações, comparou as respostas e elaborou uma obra que alia as claridades da fé a uma lógica rigorosa. Estava inaugurada a era da fé raciocinada.

Esta obra, que contém a Doutrina Espírita por inteiro, ainda não foi entendida adequadamente apesar dos esforços de muitos. Realizando uma análise mais profunda, verificamos que quando surge no campo do conhecimento algo novo, este assunto está comentado em “O Livro dos Espíritos”.

A Civilização avança cada vez mais na parte tecnológica, mas as questões a respeito da vida, do ser, do destino das criaturas e da dor, continuam a ser, para alguns, um “mistério”. Com a publicação de “O Livro dos Espíritos”, estas questões foram respondidas pelos Espíritos Superiores, com a supervisão de Jesus.

Quando a criatura procura respostas a estas indagações de caráter transcendental, encontra nesta grandiosa obra respostas aos seus questionamentos de uma forma lógica e racional. É por esta razão que desejamos, neste sesquicentenário da publicação de “O Livro dos Espíritos”, exortar a todos para agradecermos a Allan Kardec e aos Espíritos da Falange Verdade, por este trabalho que um dia será reconhecido, estudado, meditado e vivenciado por toda a Humanidade.

Jesus nos afirmou que o Consolador enviado pelo Pai estaria conosco para sempre. Sabemos que o conhecimento e os valores morais são aquisições eternas para o Espírito. Debrucemos-nos então sobre esta obra monumental – O Livro dos Espíritos – para crescermos em entendimento e valores morais.


Em seguida ao lançamento da primeira edição de O Livro dos Espíritos, em Paris, surgiram significativas manifestações sobre a obra.
O Sr. G. Du Chalard, num belo artigo publicado no Courrier de Paris, de 11 de julho de 1857, escrevia, entre outras coisas – “O Livro dos Espíritos, do Sr. Allan Kardec, é uma página nova do grande livro do infinito, e estamos convencidos de que esta página será assinalada [...]

Não conhecemos o autor, mas confessamos, abertamente, que ficaríamos felizes em conhecê-lo. Quem escreveu a introdução de O Livro dos Espíritos deve ter a alma aberta a todos os sentimentos nobres”. O abade Leçanu assim apreciou o alcance moral desta obra: “Observando-se as máximas de O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, faz-se o bastante para se tornar santo na Terra”.

Um capitão reformado da cidade de Bordeaux escreveu: “Quem quer que leia esse livro, nele meditando, como eu o fiz, aí encontrará inesgotáveis tesouros de consolações, pois ele abarca todas as fases da existências”. Ernesto Volpi, da Itália, destacou que a Allan Kardec “coube a glória de haver solidamente estabelecido as bases do Espiritismo”.

Trechos extraídos de: Thiesen, F.; Wantuil, Z. Allan Kardec: O Educador e o Codificador. 2.
Edição Especial. Rio de Janeiro: FEB, 2004. Parte Segunda, cap. I, item 7, p. 285 e 287

 

 




“Ditoso aquele que ama, pois não conhece a miséria da alma, nem a do corpo. Tem ligeiros os pés e vive como que transportado, fora de si mesmo.”

O Evangelho segundo o Espiritismo. Capítulo XI, item 8.


Existem coisas que só se faz por amor. Quem está amando sabe disso.

Por amor nos entregamos.

Por amor passamos noites em claro.

Por amor renunciamos ao conforto.

Por amor tomamos decisões, assumimos riscos... nossas posturas são coerentes com nosso sentir, não medimos esforços, nem ficamos “em cima do muro”.

Quando amamos dizemos “sim quando for sim” e “não quando for não”.

O coração repleto de amor ouve críticas maldosas sem guardar rancor, percebe o olhar desdenhoso sem desesperar-se.

Quem ama cuida do objeto amado, é fiel a ele.

Com alegria apresenta seu amor aos amigos, para que seja admirado e também amado.

Quem ama não mede esforços, está no mundo, mas caminha por sobre as nuvens, pois sua alma é liberta e seu coração, mergulhado na compaixão, extravasa alegria por onde passe.

Somente quem ama tolera a ignorância, a maldade, a inveja, o despeito, e continua cultivando o amor que traz em si..

Pois quem ama vê com lucidez, com clareza, enquanto os outros têm a vista nublada.

Quem ama escreve cartas, se entrega na confecção de frases que expressem a beleza que mora dentro e que deseja sair.

Quem ama expressa o amor com respeito, com zelo, não menospreza, nem macula.
Quem ama vê o objeto amado por inteiro e não se perde em sofismas, ou retóricas sem sentido.
Somente quem ama alteia a voz por onde passa enaltecendo o bem que faz ter esperanças num mundo novo, cheinho de paz.

Allan Kardec demonstrou seu amor.

Allan Kardec se entregou.

Por amor passava noites em claro a trabalhar pela Doutrina.

Por amor renunciava horas de lazer, momentos de ócio.

Renunciou a si mesmo. Renunciou até mesmo ao seu próprio nome, em prol da identidade universal do Espiritismo.

Por amor, o Codificador tomava graves decisões, sabendo dos riscos, assumia posturas coerentes com as novas verdades, não titubeava, nem se deixava levar a atitudes comodistas.

Acolhia a proposta do “sim” e do “não” em qualquer situação.

Por amor à Doutrina, Allan Kardec ouvia críticas ferinas, sem ser afetado pela mágoa, sofrendo a incompreensão até dos mais caros companheiros de ideal.

Kardec manteve-se fiel aos postulados que tanto amava.

Com alegria viajava pela Europa apresentando a Veneranda Doutrina por onde passasse, para que todos a pudessem também amar. Kardec estava no mundo, mas o via com outros olhos, pois o futuro desvelado lhe repletou a vida de esperança e paz.

Como discípulo de Jesus, tolerava a ignorância, a maldade, a inveja e o despeito de muitos que se sentiam contrariados pelas luzes de que o Codificador se fazia portador. Kardec via o mundo com clareza, lançando mão de seu amor e bom senso para observar a realidade.

Escrevia e respondia cartas cujo conteúdo doutrinário de beleza ímpar esclarecia e consolava a muitos. Demonstrava em suas epístolas o amor que guardava em si, compartilhando-o com as mentes inquietas e sofridas daquela época. Kardec, com seu amor pela Verdade, zelava por ela, respeitando-a em cada linha, em cada letra, em cada detalhe de seu espírito... Cuidava de sua pureza, anotando sem obstruir as informações dos Nobres Mentores da Vida.

Allan Kardec é exemplo fiel do que pode fazer alguém que ama, e que acredita no amor que renovará a Humanidade.

É tempo de segui-lo, a fim de melhor entendermos Jesus!

Jornal Mundo Espírita on line – Março 2007
Cristian Macedo


1. Segundo a Bíblia, a Terra foi povoada no início por Adão e Eva. Qual a explicação dos espíritas?

Segundo a Bíblia, Adão e Eva tiveram três filhos: Caim, Abel e Seth. Ainda segundo a Bíblia, Caim, após matar Abel, foi expulso vindo a constituir família...com os chamados “filhos dos homens”. Consideramos Adão e Eva não como dois indivíduos, o primeiro casal, mas como símbolos de raças: raças adâmicas.

Para nós, o aparecimento do Homem não se deu num só lugar, na Terra, mas, em muitos lugares. Aceitamos a teoria do evolucionismo, de Charles Darwin. Acreditamos no homem de Neanderthal, no Pitecanthropus erectus, no Homem de Java, no Homem aparecido na Lagoa Santa, no Homem aparecido na Gruta de Feldofehr, na África do Sul.

Acreditamos, enfim, na escala zoológica da evolução desde as primárias até a forma humana. Acreditamos que procedemos dos primeiros símios, quando se bifurcam e fazem à chamada raça dos novos hominídeos...


2. Hoje a Parapsicologia surge como nova corrente de ciência, capaz de explicar todos os fenômenos, até então, chamados transcendentais. Com uma série de correntes derivantes e, paralelamente, conflitantes entre si: há, inclusive, muita gente ganhando dinheiro fácil com títulos de “doutor em Parapsicologia”, livros, cursos e diplomas.
Enquanto umas atacam, outras negam a validade dos fenômenos espíritas, especialmente a invocação dos ditos espíritos desencarnados. Como vê tal panorama em toda a sua extensão?

Como um período transitório. Não faltam os “aventureiros” que se atiram arrojados, nos momentos de crises sociais e históricas da humanidade. A parapsicologia, embora com muito respeito que nutrimos por vários honestos estudiosos, mesmo no Brasil, que ministram cursos de reais esclarecimentos, sem interesses imediatos, têm sido vítimas da confusão reinante, hoje, nos diversos campos do pensamento, na Terra.

O tempo é, sempre, o mais eficiente remédio para todos os problemas e, como ninguém se evadirá da conjuntura da morte, cada um, a seu turno, constatará “de visu” a realidade da sobrevivência do Espírito.


3. O temor a Deus pode causar o stress?

Hoje, a moderna visão psicológica procura remontar não apenas ao Ser no momento perinatal e pósnatal. E essa visão ortodoxa, ancestral de Deus, era muito castradora: apavora-se para poder fazê-Lo amado através do tempo. Como era natural, Freud e Jung rebelaram-se contra isso.

Jung chegou, mesmo, a dizer que o indivíduo transfere aquela crença do pai para Deus e é vítima dessa concepção teísta castradora. No caso de stress infantil, adolescente, ou adulto, podemos encontrar, às vezes, raízes nesse comportamento ético-religioso, quando Deus se torna um vingador, um indivíduo temerário e não aquele Ser que nos ama em qualquer circunstância.

Do ponto de vista genérico, a doutrina espírita considera o stress da mesma forma que a visão psicológica, como um fenômeno de desgaste emocional, graças a vários fatores exógenos: pressões psico-sociais, sócio-econômicas; ou endógenas: a hereditariedade, determinadas seqüelas de enfermidades infecto-contagiosas, mas, particularmente, do relacionamento pais e filhos, da vida na família e conseqüente de uma visão distorcida da realidade divina.


4. O homem passa 24 horas por dia lutando pela sobrevivência. E angustiado por mil problemas, entre os quais, o principal, que é o de “como sobreviver”. Como é que se conseguiria a calma para se viver neste turbilhão?

Jesus, como sempre, foi o grande sábio. Recomendou-nos uma prática que, não obstante o turbilhão da vida moderna, pode se colocar, invariavelmente, dentro dos nossos labores: devemos reservar um momento para o Espírito. Em O Livro dos Espíritos, Agostinho nos diz que uma das práticas que o fizeram mais feliz na Terra, foi, exatamente, a do exame de consciência, no momento em que ia dormir.

Fazer uma análise, repassar as atividades do dia, pelo menos por alguns minutos, breves minutos que sejam, é de salutar resultado. Repetindo-se a prática, gera-se um condicionamento que vai criar uma necessidade espiritual.

Assim, no turbilhão, o homem mantém seu estado de paz interior, que o capacita para a grande jornada espiritual.

(do livro “Entrevistas e Lições” de Divaldo P. Franco)

 

 



sobe